Toda empresa com consumo acima de 75 kW de demanda está obrigatoriamente no Grupo A de tarifação — o que significa que paga não só pelo consumo, mas também pela demanda contratada. E é aqui que começa o problema: dentro desse grupo, há pelo menos duas modalidades disponíveis. A maioria das empresas está na errada.

A Modalidade Azul diferencia tarifas de demanda e consumo entre os períodos de ponta e fora ponta. Já a Modalidade Verde aplica uma tarifa única de demanda, mas tarifas diferenciadas de consumo conforme o horário. São estruturas completamente distintas — e o impacto financeiro de escolher a errada pode ser brutal.

Uma empresa do setor de varejo em Maceió reduziu sua conta de energia em R$ 18.400 por mês simplesmente migrando da modalidade Verde para a Azul — sem mudar nenhum equipamento.

Por que isso é tão importante?

A composição da sua fatura de energia no Grupo A é mais complexa do que parece. Além do consumo em kWh, você paga pela demanda registrada — em kW — com tarifas que variam pelo horário (ponta e fora ponta) e pelo tipo de carga que você tem.

O ponto crítico: cada empresa tem um perfil de consumo diferente. Uma indústria que opera à noite tem uma exposição completamente diferente de um escritório comercial que funciona só de dia. A modalidade ideal depende de variáveis como fator de carga, concentração de consumo na ponta e perfil de demanda.

Comparativo
Como cada modalidade cobra a energia
Critério
Tarifa de demanda
Tarifa de consumo
Ultrapassagem de demanda
Melhor para quem...
Risco principal
Modalidade Azul
Duas tarifas: ponta e fora ponta
Diferenciada por horário
Única — sem diferenciação por horário
Penalidade sobre a demanda em ponta
Concentra pouca demanda no horário de ponta (17h–22h)
Demanda elevada na ponta gera custo alto
Modalidade Verde
Tarifa única — não importa o horário
Simples e previsível
Duas tarifas: ponta é muito mais cara
Penalidade sobre a demanda em qualquer horário
Concentra pouco consumo na ponta e tem demanda homogênea
Consumo elevado na ponta encarece o kWh

Os números que sua concessionária não explica

A diferença de tarifa entre ponta e fora ponta pode ser de 3 a 7 vezes dependendo da distribuidora e da bandeira tarifária vigente. Isso significa que uma empresa que usa muita energia entre 17h e 21h30 (o chamado horário de ponta) pode estar pagando muito mais na Modalidade Verde do que pagaria na Azul — mesmo que no papel a tarifa de demanda pareça mais barata.

O problema é que a análise não é trivial. A escolha ideal depende de calcular qual seria a fatura nas duas modalidades considerando os mesmos dados históricos de consumo e demanda — e esse exercício raramente é feito.

Referência
Composição típica da fatura — Grupo A
Consumo fora ponta
~40%
Demanda contratada
~30%
Consumo na ponta
~15%
TUSD + encargos
~10%
Outros (ICMS, PIS/COFINS)
~5%

* Composição estimada para consumidor comercial típico. Varia por concessionária, perfil e modalidade.

O que normalmente passa despercebido

Existem pelo menos quatro fatores que tornam a análise mais delicada do que uma simples comparação de tarifas:

O que não te contam

Migrar de modalidade tarifária no Brasil exige um processo formal junto à concessionária — com prazo mínimo de permanência na nova modalidade de 12 meses. A análise precisa ser robusta o suficiente para garantir que a mudança seja sustentável a longo prazo.

Quanto dinheiro está em jogo?

Para uma empresa com fatura mensal de R$ 50.000, uma diferença de 20% entre modalidades significa R$ 10.000 por mês — ou R$ 120.000 por ano. Em redes de franquias, redes varejistas ou empresas com múltiplas unidades, esse número se multiplica.

E a questão não é só migrar de modalidade: é também calibrar a demanda contratada dentro da modalidade escolhida. Contratar demanda acima do necessário é desperdício direto. Contratar abaixo gera penalidades de ultrapassagem. O ponto ótimo é calculado com base nos históricos de 12 a 24 meses de medição.

A oportunidade existe. A análise técnica determina o tamanho dela — e esse é justamente o trabalho que a Central GD faz.